145 municípios de Pernambuco ainda não concretizaram Planos para Primeira Infância, apesar de avanços

Cenário atual dos Planos para Primeira Infância

No estado de Pernambuco, a realidade das políticas voltadas para a primeira infância apresenta desafios significativos. Um recente levantamento realizado pelo Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) revelou que 145 municípios ainda não implementaram Planos Municipais para a Primeira Infância (PMPI) ou não monitoram efetivamente as ações direcionadas às crianças entre 0 e 6 anos. Apesar de um crescimento notável no número de planos aprovados, a execução das metas permanece uma preocupação.

Aumento na aprovação dos PMPI

O relatório do TCE-PE, divulgado em setembro de 2026, indica que o número de municípios que possuíam PMPI aprovados aumentou substancialmente de 27,7% para 63% em um ano. Atualmente, 116 municípios, ou seja, 63% do total, têm suas leis municipais que formalizam esses planos, um aumento expressivo em relação aos 51 municípios registrados no ano anterior.

Desafios na implementação

Apesar do aumento na aprovação, os desafios permanecem. Apenas 20 municípios (10,9%) demonstraram monitorar integralmente a execução dos planos, enquanto 145 municípios (78,8%) falharam em estabelecer ou não conseguiram comprovar rotinas de monitoramento das ações planejadas. O documento destacou que a simples aprovação legal dos PMPI não é suficiente para garantir que as políticas sejam efetivas na prática.

Planos Municipais pela Primeira Infância

Importância do monitoramento contínuo

O monitoramento contínuo é crucial para assegurar que as políticas públicas voltadas para a primeira infância sejam cumpridas. O chefe do Departamento de Controle Externo Regional do TCE-PE, Diogo Souza, salientou que aprovar o plano é apenas o primeiro passo; o maior desafio é tirar esses planos do papel e implementar rotinas permanentes de supervisão e execução efetiva.

O papel do Tribunal de Contas do Estado

O TCE-PE desempenha um papel fundamental na fiscalização das políticas voltadas à primeira infância. Por meio de auditorias, o tribunal identifica falhas e apresenta recomendações para que os municípios possam aperfeiçoar a gestão e a implementação das ações. Acompanhando os resultados das ações, o TCE-PE busca promover maior transparência e eficiência na aplicação dos recursos públicos destinados às crianças.



Resultados de fiscalização e controle

A análise aponta que, entre os 116 municípios com PMPI aprovados, apenas 20 (17,2%) conseguem monitorar e evidenciar a execução de suas atividades. Este cenário revela uma preocupação com a materialização dos planos em ações concretas, podendo acarretar riscos de inexecução das políticas públicas.

Impacto na população infantil

Segundo dados do Censo de 2022, cerca de 9,29% da população pernambucana é composta por crianças de 0 a 6 anos, totalizando mais de 841 mil indivíduos. A efetividade das políticas públicas voltadas para essa faixa etária é crucial, uma vez que impacta diretamente na qualidade de vida e no desenvolvimento das crianças.

Pobreza e Primeira Infância em Pernambuco

Estatísticas alarmantes revelam que mais de 73% das crianças em Pernambuco vivem em situação de pobreza, de acordo com dados de 2023 do Unicef. Essa realidade acentua a necessidade urgente de que os municípios implementem e monitorem programas que atendam às necessidades básicas das crianças, garantindo acesso à educação, saúde e assistência social.

Ações de municípios com falhas

Dentre os municípios que falham no monitoramento, destacam-se Jaboatão dos Guararapes, Olinda, Cabo de Santo Agostinho, Garanhuns e Vitória de Santo Antão. Estes, mesmo figurando entre as cidades com alta densidade populacional, não conseguem acompanhar efetivamente as ações estabelecidas em seus planos municipais. O município de Camaragibe, que está em processo de elaboração do PMPI, também enfrenta dificuldades para concluir seus planos em tempo adequado.

Caminhos para a melhoria nas políticas públicas

Para que as políticas públicas relacionadas à primeira infância sejam eficazes, é essencial que os municípios estabeleçam rotinas de monitoramento consistentes e acionem as diretrizes previstas nas legislações. O fortalecimento da articulação intersetorial, a participação da comunidade e um comprometimento real dos gestores podem propiciar um avanço significativo na implementação dos PMPI em Pernambuco.

Somente através de um empenho coletivo e contínuo, será possível garantir que as crianças de 0 a 6 anos no estado tenham acesso a um desenvolvimento pleno e digno, minimizando o impacto da pobreza e promovendo uma infância saudável e feliz.



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