O espetáculo Ombela será apresentado em sessão única no Quilombo Xambá, em Olinda, em 23 de outubro de 2026. Segundo a divulgação da produção, a montagem autoral pernambucana é produzida pelo grupo O Poste Soluções Luminosas.
Criada em 2014, a peça chega pela primeira vez a um quilombo. A obra reúne textos e poemas do escritor angolano Manuel Rui e passagens na língua Umbundo.
A apresentação terá atuação de Agrinez Melo e Naná Sodré, no bairro de São Benedito. A sessão está marcada para as 19h e tem entrada gratuita, com classificação indicativa de 16 anos.

A apresentação integra o projeto Luz negra: o negro em estado de representação, realizado com fomento da Fundação Nacional de Artes, vinculada ao Ministério da Cultura do Governo Federal. A montagem aborda ancestralidade africana e identidade por meio de uma narrativa que tem a água como elemento central.
Sessão gratuita de Ombela chega ao Quilombo Xambá
A apresentação integra o circuito do projeto Luz negra: o negro em estado de representação, que leva produções do grupo O Poste Soluções Luminosas a terreiros e quilombos de Pernambuco. A iniciativa também passou pelo Ilê Axé Oyá Guerê, no bairro de Santo Amaro, no Recife, em 9 de outubro de 2026.
Em 17 de outubro, o Quilombo dos Camarás, em Camaragibe, recebeu a peça O Irôko, a Pedra e o Sol. A programação do circuito inclui ainda A Receita, prevista para o Ilê Axé Oxum Ipondá, no bairro de Jardim Fragoso, em Olinda, em 27 de outubro, e para o Quilombo da Povoação, em Tejucupapo, distrito de Goiana, em 30 de outubro.
As três montagens são produções autorais pernambucanas assinadas pelo grupo e espaço O Poste. O projeto é realizado com fomento da Fundação Nacional de Artes (Funarte), vinculada ao Ministério da Cultura do Governo Federal, conforme as informações da produção.
Poesia, água e referências africanas estruturam a montagem
Em língua Umbundo, Ombela significa chuva, e a narrativa parte da água para acompanhar duas gotas que assumem formas variadas ao longo de um processo de humanização. A sinopse da peça descreve essas figuras como entidades que representam arquétipos do universo feminino e relaciona a chuva à transformação dos sentidos da vida.
A montagem combina trechos falados e cantados em Umbundo com textos e poemas do escritor angolano Manuel Rui. Agrinez Melo, atriz da peça, explica que a língua é falada pelos Ovimbundos das montanhas centrais de Angola e que a obra também se baseia nos escritos do autor, que atua em gêneros como ficção, dramaturgia, poesia, crônica e ensaio.
Para a atriz Naná Sodré, a poesia funciona como passagem entre o mundo real e o mágico, enquanto a água conduz a outros temas ligados à sobrevivência e à ancestralidade. A encenação propõe reflexões sobre cultura africana no Brasil e sobre o posicionamento humano diante da continuidade da espécie, com abertura à participação do público.
O tratamento visual da peça abrange cenário, figurinos, iluminação e maquiagem, apresentados em uma atmosfera descrita por Sodré como lúdica e sagrada, mas não intocável. A água organiza a jornada das duas gotas, que passam a representar dimensões do universo feminino e a provocar perguntas sobre identidade e destino.
Espetáculo criado em 2014 tem trajetória e pesquisas acadêmicas
A estreia de Ombela ocorreu em 2014, no Espaço O Poste, no Recife. As indumentárias têm concepção artística de Agrinez Melo, enquanto Samuel Santos responde pelas ideias de cenário, iluminação e encenação; Daniele Perin assina a consultoria e os estudos em Antropologia.
A trilha sonora teve direção musical da cantora, compositora e musicista recifense Isaar, e a preparação musical foi conduzida por Sumara Ramos, cantora, compositora, arranjadora e preparadora vocal. Em 2015, a montagem integrou a 20ª edição do Festival Janeiro de Grandes Espetáculos e recebeu um prêmio especial pela pesquisa de matriz africana.
Em 2019, a peça foi apresentada no Festival de Teatro Lusófono (FestLuso), no Theatro 4 de Setembro, em Teresina. A trajetória internacional começou em 2022, quando a produção chegou a Portugal pelo Festival Tanto Mar Apresentações; em março de 2026, houve uma sessão no Centro Cultural Banco do Nordeste Fortaleza, pela Mostra BNB das Artes Cênicas, e seis apresentações ocorreram no Espaço O Poste, no Recife, em setembro.
Pesquisas acadêmicas também examinam os procedimentos estéticos da obra e a presença da ancestralidade no teatro de grupo. A Revista USP publicou o artigo “Ombela: uma cena ancorada no imaginário africano”, de Elton Soares Siqueira, e uma dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro analisa a poética da chuva e a encenação do grupo.
Serviço
- Evento: Ombela
- Data: sexta-feira, 23 de outubro de 2026
- Horário: 19h
- Local: Quilombo Xambá, Rua Severina Paraíso Silva, nº 65, bairro de São Benedito, Olinda/PE
- Entrada: gratuita


